segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Prova de Fogo


Durante os primeiros minutos de Prova de Fogo somos apresentados à personagem principal, Akeelah (Keke Palmer), numa narração que ela própria faz. A menina, de 11 anos, comenta que se sente deslocada em todos os lugares que vai e que, até agora, não tinha achado um motivo que a inspirasse na vida. Ela estuda numa escola humilde de Los Angeles e chama a atenção dos docentes por sempre tirar nota máxima nas provas de soletração. O diretor do colégio, Sr. Welsh (Curtis Armstrong), acredita que a menina pode representar bem a escola nos concursos regionais de soletração até chegar à final nacional – e o espectador percebe que, por ora, ele está mais interessado em conseguir status para o colégio. Akeelah, muito tímida no começo, acaba vencendo o concurso interno onde estuda e resolve se empenhar para conquistar os testes mais complicados, isso com a ajuda de seu “técnico”, Dr. Larabee (Laurence Fishburne).

Entretanto, apesar de o roteiro e a direção (ambos por Doug Atchison) colocarem a vontade da garota de vencer o concurso nacional em primeiro plano, o filme não pára por aí. Doug expande seu texto e mostra a dura vida de Akeelah: seu pai foi assassinado, sua irmã é mãe solteira, um dos irmãos é do exército, o outro entrou no mundo do crime e sua mãe (interpretada lindamente por Angela Bassett) surta à cada segundo e não dá atenção à filha. Na verdade, temos também conhecimento da história de alguns outros concorrentes de Akeelah e, principalmente, a de Dr. Larabee que tem um grande segredo em seu coração. O clichê está presente, mas ele serve muito bem aqui. Não nos faz de idiotas e deixa a fita com uma aparência interessante, muito gostosa de assistir. Quando chegamos aos momentos finais, logo cantei a pedra do que aconteceria no desfecho, mas caí do cavalo. Doug Atchison se esquivou da pieguice e apresentou um final bastante satisfatório – esperado, na verdade, mas com um quê de surpresa.

Sem embaraços, o filme nos propõe uma reflexão sobre até onde vamos sozinhos e o quão longe podemos ir com a ajuda de pessoas que nos amam. Mostra que amor é inerente à vida de qualquer ser humano, que preconceito nunca é a melhor saída, que amizades sempre são bem-vindas e que jamais devemos ter medo de nós mesmos. E tudo isso nos é ensinado pela personagem de Keke Palmer. Esta garota, certamente, tem um futuro brilhante pela frente; ótima durante toda a reprodução. Mas quem rouba a cena, em papel coadjuvante, é Angela Bassett: que mulher expressiva! Desde seu tour de force em Tina venho acompanhando seus trabalhos e digo que o que ela faz em Akeelah and the Bee é sensacional. O restante do elenco age com muita naturalidade, o que era necessário ao filme. E foi justamente por causa deste tom natural inserido à película que acabei, pra variar, chorando no final. Este, colocando-o mais uma vez em evidência, é lindo! Uma cena em que Akeelah deve soletrar a última palavra, mas não fará isso sozinha...

Nota: 8,0


Informações sobre o filme, clique aqui.

domingo, 9 de agosto de 2009

Aos Pais, Uma Homenagem

Hoje, dia 09/08/2009, é Dia dos Pais. Não podia deixar que esta data tão importante passasse em branco. Vão ser apenas algumas palavras, até por que não sou bom em homenagens (sempre choro). O Bit of Everything vem desejar tudo de mais maravilhoso à todos os Pais dos leitores e, é claro, aos leitores que já são Papais. Lembro, especialmente, do meu Pai com quem estou passando um dia incrível. Também quero trazer as memórias dos Pais ausentes à tona, hoje. Dizer que, com certeza, eles estão olhando por seus filhos e guiando os seus caminhos. E aí vai um desabafo: meu maior sonho é ser Pai! Mas sei que a questão é mais complicada do que parece e preciso ter a cabeça no lugar e me preparar para a hora certa. Hoje, sugiro algumas dicas de filmes para se ver com o Papai; filmes que mostram esta grande vocação: O Óleo de Lorenzo, À Procura da Felicidade, O Paizão, Lua de Papel, Procurando Nemo, Nossa Vida Sem Grace.
É isso...
À todos os Pais de plantão, um dia iluminado! Parabéns!

sábado, 8 de agosto de 2009

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada


Nossas vidas, inevitavelmente, são quase sempre alvo de situações bastante incomuns. O que ocorre é que o destino manipula nossa sorte o tempo todo e às vezes o que ele nos propõe é exatamente aquilo que não é interessante no momento. Na realidade, sabemos que este “presente” é o que queremos para nosso futuro, mesmo com alguns contratempos. Dan (Steve Carell) é um viúvo pai de três filhas que há certo tempo não tem sorte na vida afetiva. Mas quando adentra uma livraria conhece Marie (Juliette Binoche) e logo tem a certeza de que ela é o ar fresco que ele necessitava em sua vida. Eufórico, ele chega em casa e conta a novidade para o irmão, Mitch (Dane Cook), o qual, mais tarde, apresenta a nova namorada à família: Marie.

Pronto. A vida de Dan que em segundos mudou por conhecer Marie, na mesma fração de tempo vira de cabeça para baixo, pois só ele e ela sabem “um do outro”. O mais interessante acerca do roteiro de Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (Pierce Gardner e Peter Hedges) é que ele explicita a vida de Dan da forma mais completa possível, ou seja, coloca toda a sua família (imagine uma família grande e que gosta de dar opiniões e conselhos) no centro da situação e, assim, promove cenas que vão das mais hilárias até as mais dramáticas. O que também é de se louvar no texto é a exposição da complicada – e complexa, por que não? – relação do personagem principal com suas três filhas Jane (Alison Pill), Cara (Brittany Robertson) e Lilly (Marlene Lawston); mas esta dificuldade de relacionamento deve-se ao fato de que ele não consegue manejar os momentos em que está com elas, sempre tentando ser o mais pragmático possível. A sensibilidade também está completamente fixada no roteiro. A cena em que a família “apresenta”, num ato de brincadeira, um espetáculo circense e Dan e Mitch cantam juntos é genial e mais um ponto incrível do texto, uma vez que utilizam a letra de uma música para ditar uma maneira de expressão.

O mesmo Peter Hedges que roteiriza é quem dirige. E o faz de forma enxuta, é verdade, mas competente. O que é importante citar é que Peter tem uma carreira mais sólida, por ora, como roteirista (sendo indicado, em 2002, ao Oscar de Roteiro Adaptado por Um Grande Garoto). Entretanto, a sua estréia na direção já era uma previsão de que ele também é bastante inteligente com a “câmera na mão” (Do Jeito Que Ela É, tal estréia, vale ser visto). O bom de ter o mesmo roteirista e diretor se deve ao fato de ele saber o que é interessante inserir na fita e o que não é, seguindo o texto. Percebam, por exemplo, na inserção da cena em que Dan e Marie se conhecem: o fato ocorre dentro de uma livraria onde existem ao mais diversos tipos de romance o que nos convida à escolha e nos incita a pensar que tudo pode acontecer, se nós quisermos.

A direção, pra ser sincero, tem seu auge no que tange o suporte ao elenco: o trabalho dos atores é maravilhoso. Steve Carell, simplesmente, na melhor atuação de sua carreira. Mostra nuances cômicas, mas sempre com o olhar vago e triste denotando não estar bem, apesar de tudo. Juliette Binoche (que tem, pra mim, uma das melhores atuações da história em A Viúva de Saint Pierre) também é sensacional e o mesmo digo de Dane Cook (apesar de não gostar dele). As jovens filhas de Dan, interpretadas por Alison Pill, Brittany Robertson e Marlene Lawston são de uma expressividade ímpar, principalmente as duas primeiras. Dianne Wiest, que teve sua atuação pouquíssimo comentada, brilha em todas as cenas que aparece e digo o mesmo de Emily Blunt que, em uma cena, é incrível. E assim, apareceu um filme que demorei muito tempo para assistir mas que, no fundo, sabia que era uma surpresa. Algo que prima pelo simples, mas, em contrapartida, se faz gigantesco em seu desenvolvimento e, principalmente, em seu belo desfecho.


Nota: 9,0


Informações sobre o filme, clique aqui.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Emmy 2009: Lead & Supporting Actress in a Drama Series

Vou começar, de forma bem aleatória, a postar minhas preferidas e preferidos na edição 2009 do Emmy. Não escondo que tenho uma paixão fora do comum pelas séries dramáticas e por isso comecei a ver (e rever) as submissões das indicadas nas categorias Lead Actress in a Drama Series e Supporting Actress in a Drama Series. Começando pela principal, digo que gosto bastante da lista. Na verdade, ainda tenho problemas com as inacabáveis indicações de Holly Hunter pela boring Saving Grace. Óbvio que colocaria a genial January Jones - impecável em Mad Men - em seu lugar. Abaixo está minha lista que começa com a atriz que teve a melhor submissão e vai decrescendo (o mesmo acontecerá na próxima categoria e nos próximos posts):


1. Glenn Close, "Trust Me" (Damages)


Pra mim, Glenn é um ET. Tudo nela me assusta. Quando fala, olha, escreve, tosse, bebe, come... Sem a menor sombra de dúvidas é a melhor atriz da televisão, atualmente. O que ela fez, e continua fazendo, em Damages vai além do visceral e vale lembrar que todo o elenco desta genial série é impressionante. Close, então, é minha primeira opção, com louvor!


2. Mariska Hargitay, "PTSD" (Law & Order: SVU)
3. Elizabeth Moss, "Meditations in an Emergency" (Mad Men)
4. Kyra Sedgwick, "Cherry Bomb" (The Closer)
5. Sally Field, "A Father's Dream" (Brothers & Sisters)
6. Holly Hunter, "Have a Seat, Earl" (Saving Grace)


Na outra categoria que coloquei em dia, Supporting Actress in a Drama Series, as questões são mais dramáticas (trocadilho bem indigno!). Eu sei que Katherine Heigl merecia um gelo pela a babaquice do ano anterior, mas eu acredito que sua indicação era necessária pela belíssima quinta temporada de Grey's Anatomy. Outro aspecto, no mínimo, curioso: In Treatment consegue uma penca de coadjuvantes indicadas, mas as melhores sempre ficam de fora. Já ocorreu ano passado com a jovem - mas talentosa - Mia Wasikowska e este ano foi a vez da sensacional Alison Pill ficar de fora. Enfim, vamos à lista:


1. Rose Byrne, "Trust Me" (Damages)


Nem é por que adoro a Rose, mas não tem como não colocá-la como a favorita na categoria. Bela atuação, como fez durante ambas as temporadas até agora. Submeteu o mesmo episódio de Glenn e digo que quando o assisti pela primeira vez, fiquei sem ar. Ao término dele, meu amigo disse: "as duas vão submeter este episódio". Byrne é sempre instigante e nos faz pensar sobre uma pessoa que é o cordeiro e, ao mesmo tempo, o lobo.


2. Sandra Oh, "Elevator Love Letter" (Grey's Anatomy)
3. Chandra Wilson, "Stairway to Heaven" (Grey's Anatomy)
4. Dianne Wiest, "Gina, Week 6" (In Treatment)
5. Cherry Jones, "Day 7: 7am-8am" (24)
6. Hope Davis, "Mia, Week 6" (In Treatment)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Noite do Terror


O gênero terror vem sendo banalizado por alguns produtores de uns tempos para cá. Isso me deixa bastante preocupado, pois querendo ou não, é um afluente cinematográfico que tem todo um histórico interessante em seu cerne. Algumas boas fitas trash, no entanto, não passam pelas telas do cinema e são enviadas direto para a televisão. Foi o caso, acredito eu, de Noite do Terror, ou em inglês e muito mais interessante, See No Evil. A fita é de 2006 e foi dirigida por Gregory Dark o qual, segundo as más línguas, é veterano no mercado pornográfico. No filme, jovens fúteis, mas delinquentes, são jogados no antigo Hotel Blackwell para limparem o local, com o intuito de diminuir o tempo das suas penas. Mas o estado do local e, obviamente, o clima levam a crer que algo de muito ruim está prestes a acontecer.

À primeira vista, e até entendo vocês, o plot é muito do mesmo. O roteiro é clichê e a fita é escrachadamente um slasher – ou seja, um subgênero de filmes de terror quase sempre envolvendo assassinos psicopatas que matam aleatoriamente – mas as nuances da direção e a parte técnica chegam pra deixar o espectador muito satisfeito e surpreso. Como já perceberam, meu texto está dando voltas e não chego a lugar nenhum sobre o desenvolvimento da história. Entretanto, não há como. Tudo é moldado tentando levar quem assiste a um mundo paralelo, mas que na verdade, é a pura realidade. O próprio assassino é uma caricatura: ele mede mais de dois metros e pesa 150 quilos. Mas não se enganem, pois é mentalmente perturbado e por causa da sua fanática mãe – a qual dizia que “os olhos são a janela da alma” – tem como prioridade arrancar os olhos de suas vítimas. O interessante é que toda a insanidade do filme acaba por ser despejada num desfecho bastante confuso, mas que no fundo é muito legal.

O tal Gregory Dark faz algo interessante na direção. Promove constantes distorções de imagens, longos e tensos travellings, usa e abusa de cortes bruscos de cenas e, nos momentos certos, dá à película um ar documental. O clima dark e insano é maximizado por uma direção de arte estarrecedora. O hotel é sujo, nojento e cada uma de suas acomodações e salas são de uma originalidade ímpar em termos de cenografia. E para ficar ainda mais indigesto, a fotografia prima pelo escuro; mas um escuro diferente: acinzentado, brilhante e em tons quase prata. O complicado é que eu não consigo esconder a empolgação quando vejo um filme como esse. E todo o meu texto parece convergir para uma nota alta, quase que acima de 8,0. Contudo, o roteiro ainda continua sendo igual aos demais filmes do gênero; só que não culpo o roteirista pelo seguinte: se fez questão de encaixar o filme no slasher, não há como mostrar uma história diferente. Desta forma, só me resta indicar este See No Evil para quem gosta de horror show.


Nota: 7,5


Informações sobre o filme, clique aqui.