quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Década: Atriz

Após um tempo em rehab total do Bit e dos blogs parceiros (peço mil desculpas por isso!), volto com mais um top 10 sobre esta nossa década. Talvez o mais tranquilo de se fazer foi este das atrizes em papéis principais. Peço que as minhas queridas Naomi Watts (21 Gramas), Nicole Kidman (A Pele e Moulin Rouge! - Amor em Vermelho) e Isabelle Hupert (A Professora de Piano) me perdoem por não estarem na lista, mas faltou um espacinho...



10. Maggie Gyllenhaal em Sherrybaby



9. Jennifer Connelly em Casa de Areia e Névoa




8. Charlize Theron em Monster: Desejo Assassino





7. Annette Bening em Adorável Júlia




6. Helen Mirren em A Rainha




5. Imelda Staunton em O Segredo de Vera Drake





4. Kate Winslet em Foi Apenas Um Sonho






3. Julianne Moore em Longe do Paraíso




2. Felicity Huffman em Transamérica




1. Marion Cotillard em Piaf - Um Hino ao Amor


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Querô


Ao passo que o Brasil apresenta filmes interessantes nos quais a temática não é a violência, também produz mais do mesmo. Óbvio que lá em 2004 surgiu um ar fresco em tal gênero, Cidade de Deus, que ousou ao mostrar uma direção impecável de Fernando Meirelles. Mas ultimamente tenho deixado o ufanismo de lado e sendo justo ao avaliar certos filmes nacionais e Querô é a prova de que estou realmente pegando pesado em tal avaliação. Levando quatro prêmios importantes no Festival de Brasília – não sei como – a fita oscila entre o ruim e o péssimo e tal diferença de conceito é introduzida a ela em questão de frações de segundos. Amenizando um pouco minha decepção, digo que o diretor Carlos Cortez até tentou fazer algo inovador, mas a história é a mesma de sempre.

Querô (Maxwell Nascimento) é um garoto abandonado na vida: seu pai é desconhecido e sua mãe foi expulsa do prostíbulo onde trabalhava logo após dar a luz a ele. Maria Luisa Mendonça interpreta esta mãe que logo depois disso morre intoxicada com querosene e Querô acaba sendo criado pela dona do bordel. Entretanto, o menino começa a nutrir um ódio descomunal em sua alma devido aos maus tratos que recebia e logo se torna um projeto de marginal, vivendo de pequenos delitos. Não demora e ele vai para a FEBEN, lugar que será cenário de passagens inesquecíveis e cruéis na vida de Querô. Quando sua raiva chega ao auge, acaba por protagonizar uma rebelião bastante violenta e consegue fugir. Mas nada mais será fácil na vida deste menor-abandonado.

Baseado no livro de Plínio Marcos, o roteiro do próprio Carlos Cortez (pasmem, com colaboração do ótimo Bráulio Mantovani e Luiz Bolognesi) tenta fazer com que enxerguemos Querô como sendo um objeto, ou seja, uma bomba prestes a explodir em meio à violência. A idéia infundada de fazer do garoto, por vezes, um herói, é ridícula e o desfecho um grito desesperado do diretor, já que induz o espectador ao choque e ao choro. E tudo é piorado com uma fotografia horrorosa a qual me incomodou o filme todo por não ser menos que feia.

Ainda nos contras, temos o elenco. Há quem diga que Maxwell Nascimento desempenha um belo papel, mas eu discordo. Mas isso não é culpa dele, uma vez que o suporte que o diretor dá ao elenco é fraquíssimo. Vide as péssimas atuações de Milhem Cortaz e Aílton Graça. O que é pró ao filme?! O trabalho de edição e montagem é bastante interessante, pois mostra imagens distorcidas do passado de Querô durante duras cenas do presente. Mas devo implorar para alguns diretores: parem de tentar chocar o público com filmes que abordem a violência! O que me deixa um pouco aliviado é que parece que nosso candidato a uma vaga no próximo Oscar (Salve Geral) trata de tal tema de maneira mais válida e digna.


Nota: 3,5


Informações sobre o filme, clique aqui.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Emmy 2009: Comedy

E para fechar as listas dos meus favoritos, Roteiro, Direção e Série (Comédia):

Melhor Roteiro em Série Cômica

1. Matt Hubbard, “Reunion” – 30 Rock


Minha afinidade com 30 Rock é quase nula. Mas é o segundo ano que a série me agrada com o melhor roteiro cômico do ano. Na última edição do Emmy com o genial "Rosemary's Baby'' e este ano com o hilário e interessante "Reunion". Sinto falta de algum texto de The Big Bang Theory e Entourage na categoria e acho um exagero a indicação de "Kidney Now!".

2. James Bobin, Jemaine Clement e Bret McKenzie, “Prime Minister” - Flight of the Conchords
3. Ron Weiner, “Mamma Mia” – 30 Rock
4. Robert Carlock, “Apollo, Apollo” – 30 Rock
5. Jack Burditt e Robert Carlock, “Kidney Now!” – 30 Rock

Melhor Direção em Série Cômica

1. Julian Farino, “Tree Trippers” – Entourage




Como sempre, os trabalhos de direção de Entourage são impecáveis. Neste "Tree Trippers" temos de tudo um pouco, mas o mais destacável é a condução do elenco no episódio. Na realidade, acho que "Generalissimo" (30 Rock) deve vencer, com sobras, mas a lista se trata dos meus favoritos, então...

2. Beth McCarthy, “Reunion” – 30 Rock
3. James Bobin, “The Tough Brets” – Flight of the Conchords
4. Millicent Shelton, “Apollo, Apollo” – 30 Rock
5. Todd Holand, “Generalissimo” – 30 Rock
6. Jeff Blitz, “Stress Relief” – The Office

Melhor Série Cômica

1. Entourage



Que surpresa, não? Todos que me conhecem sabem que eu acho Entourage, junto com The Big Bang Theory e United States of Tara, a melhor série cômica do momento. 30 Rock não é a minha praia e esta temporada de The Office não me agradou at all. Pus em dia Flight of the Conchords e achei incrível! Por muito pouco não arrebata a primeira posição. Mas quem venceria, caso estivesse indicado, seria The Big Bang Theory. E não esqueçamos da horrorosa esnobada que deram em United States of Tara.

2. Flight of the Conchords
3. Weeds
4. 30 Rock
5. Family Guy
6. How I Meet Your Mother
7. The Office

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Emmy 2009: Drama

Esta é a penúltima postagem sobre os meus favoritos ao Emmy 2009. Aqui, falarei sobre as três categorias importantes acerca das séries dramáticas: Roteiro, Direção e Série. Sem mais, vamos às categorias (como sempre, em ordem decrescente de preferência):

Melhor Roteiro em Série Drama

1. Kater Gordon e Matthew Weiner, “Meditations in a Emergency” – Mad Men



Tenho uma pequena história para contar. Era uma vez um cara que ODIOU a primeira temporada de Mad Men. Mas não contente em ser o único com tal sentimento sobre a série, não a largou e hoje tem a plena certeza de que esta série é uma das melhores da atualidade (claro que estou falando de mim!). Falando especificamente dos materiais deste ano de Mad Men, o roteiro de "Meditations in a Emergency" é extraordinário. Bastante forte no sentido literal, este foi o melhor roteiro do ano. Mas permitam-me reclamar da exclusão de "Now or Never", capítulo que fechou de forma iompressionante a quinta temporada de Grey's Anatomy. E outro detalhe: cadê qualquer episódio de Big Love nesta categoria?

2. Matthew Weiner, “Jet Set” – Mad Men
3. Robin Veith e Matthew Weiner, “A Night to Remember” – Mad Men
4. André Jacquemetton, Maria Jacquemetton e Matthew Weiner, “Six Month Leave” – Mad Men
5. Carlton Cuse e Damon Lindelof, “The Incident” – Lost


Melhor Direção em Série Drama

1. Michael Rymer, “Daybreak (Parte 2)” – Battlestar Galactica

Pense numa série subestimada e multiplique por 100. O resultado é Battlestar Galactica: uma das séries mais legais dos últimos anos. E o mais interessante é que a série sempre apresenta trabalho formidáveis de direção e a segunda parte de "Daybreak" é perfeitinha e é óbvio que chorei, já que este episódio fechou a série de forma linda. Vale lembrar que "Trust Me" (Damages) ficou por muito pouco na segunda posição.

2. Todd A. Kessler, “Trust Me” – Damages
3. Phil Abraham, “The Jet Set” – Mad Men
4. Rod Holcomb, “And in The End” – ER
5. Bill D’Elia, “Mad in China/Last Call” – Boston Legal

Melhor Série Drama

1. Big Love


Alguns leitores sabem da minha paixão por Big Love. Pra mim, uma das coisas mais interessantes vistas nos últimos anos na televisão. Sem a menor dúvida, esta ousada série era o ar fresco de que todos precisávamos. Mostrando a história incrível de uma família polígama, Big Love se faz intenso - mas por oras engraçado - e bastante cauteloso. Com roteiros sempre inspirados, a série conta com um elenco absurdamente genial: Bill Paxton, Jeanne Tripplehorn, Chloë Sevigny e Ginnifer Goodwin. Entretanto, também gostaria de reclamar aqui. Grey's Anatomy fez uma quarta horrorosa, mas se reergueu de forma magistral nesta quinta. Por esse motivo, acho que a série merecia ser incluída na lista.

2. Damages
3. Mad Men
4. Breaking Bad
5. House
6. Lost

sábado, 12 de setembro de 2009

Cine/on Stage: My Fair Lady

Um belo dia no antigo mas também válido Bit of Everything, dividi com vocês uma experiência que tive no teatro. Pra quem não sabe, fui ator durante alguns anos do meu passado, mas hoje abandonei parcialmente tal atividade. Deste modo, fica meio evidente que teatro corre nas minhas veias e, de fato, sou vidrado em tudo o que rola on stage. Pra ser mais exato, os musicais são a minha grande paixão e tenho orgulho em dizer que o Brasil tem apresentado versões interessantes de clássicos da Broadway. Hoje eu abro este novo espaço no blog para debater sobre alguns musicais que viraram filme - ou vice-versa - e começo com os divinos materiais de Minha Bela Dama, ou num tom mais glamuroso, My Fair Lady.



O filme, escrito por George Bernard Shaw e Alan Jay Lerner e dirigido pelo sensacional George Cukor, conta a história de uma mendiga, Elisa (Audrey Hepburn), que vende flores nas escuras ruas de Londres em busca de alguns torcados. Numa noite como outra qualquer, Elisa conhece da forma mais hilária possível Henry (Rex Harrison), um brilhante professor de fonética que tem a capacidade única de tirar conclusões sobre as pessoas simplesmente ao ouvir seus sotaques. Chocado com o péssima manipulação verbal da mendiga, ele aposta com um amigo, Hugh (Wilfrid Hyde-White), que em seis meses fará de Elisa uma verdadeira dama. A mendiga, no fundo, sente que seria ótimo se pudesse se equiparar com as beldades da alta sociedade londrina e aceita ser "transformada" por Henry. Aqui começa uma saga cheia de detalhes que vão dos mais cômicos aos mais emocionantes em questão de segundos. Personagens que entram, personagens que saem; o filme é uma constante mudança de cenário e proposta. Uma das cenas mais incríveis da fita é justamente quando conhecemos Freddie (Jeremy Brat), que de pronto se apaixona por Elisa justo num momento em que ela "dá uma bola fora". Mas o destino da moça vai numa direção diferente do que ela esperava e tudo é ratificado num belo desfecho. A dupla de protagonistas, Audrey e Rex, é impressionante e a química entre eles a coisa mais linda de se ver. Ela compõe uma das mais brilhantes interpretações femininas que vi num musical. E tecnicamente, My Fair Lady é um luxo total. Apresenta de forma chocante os mais geniais e estarrecedores figurinos já vistos num filme, ao menos pra mim. Trocando em miúdos, o filme é um dos meus musicais preferidos e o mesmo digo do on stage...



...mas antes de falar dele, um recado: infelizmente não assisti à versão estrangeira, somente a nacional; mas vale comentar mesmo assim. O Brasil, pelas mãos do grande diretor Jorge Takla, montou o musical da forma mais requintada possível. De longe é uma das produções nacionais mais bem sucedidas e interessantes. Toda a cenografia é a réplica do filme e todo o figurino também. Takla tem uma capacidade incomum de dirigir elencos numerosos e não deixar a bagunça reinar no palco. Transpôs o filme para os palcos e adaptou "o Broadway" de maneira bastante precisa. O mais interessante desta peça, sem dúvida, é o elenco. Elisa é interpretada pela até então desconhecida dos palcos nacionais Amanda Acosta que faz um trabalho magistral, incrível. Desbancou as grandes e cobiçadas Sara Sarres e Kiara Sasso e deu um show. O mesmo digo de Daniel Boaventura (figurinha carimbada nas produções de Takla) que faz um Henry melhor que o de Rex, a meu ver. É bom dizer que todo o elenco tem um contato único com o público, ou seja, passam uma energia incrível aos espectadores. A montagem brasileira de um clássico do cinema mundial, não perde em nada para as montagens americanas e inglesas. Aguardem os próximos textos deste novo espaço. Falremos de Rent!, West Side Story, Chicago, Mamma Mia!, A Bela e a Fera, Haispray, Wicked (que está ganhando uma versão cinematográfica), Avenue Q (apesar de ser intransponível ao cinema, vale ser comentado como musical de teatro).

Nota para o filme: 9,5
Nota para o on stage: 9,0